A Bioquímica

O que é a Bioquímica?

Sobre a Bioquímica

A Bioquímica é, como o próprio nome indica, a química da vida. É o ramo da ciência que faz a ponte entre a Química, estudo das estruturas e interacções entre átomos e moléculas, e a Biologia, estudo das estruturas e interacções das células e organismos vivos. Visto que todos os seres são constituídos por moléculas "inanimadas", a vida é no seu nível mais básico um fenómeno bioquímico.

Sara Berguete

Testemunhos

“Um admirável mundo novo”
 
Este mês estava tranquilamente a ler uma entrevista dada a um jornal semanal português pelo americano Timothy Ferriss, um neurocientista que, ao fim de 30 anos de vida, decidiu despedir-se do seu trabalho para abrir uma empresa de suplementos para o cérebro. No livro intitulado “4 Horas Por Semana” ele conta como mudou radicalmente a sua vida, passando de um trabalho de 80 horas por semana, que lhe roubava toda a vida para além do emprego, para um negócio em que trabalha quatro horas por semana, recebendo num mês o que recebia num ano. Ao ler esta entrevista, os meus olhos ficaram parados, pelo menos dois minutos, a ler e a reler uma frase deste senhor: “Nem contratar bioquímicos e profissionais foi caro”. A verdade é que esta frase me deu que pensar! Por um lado, achei realmente curioso o facto dos bioquímicos serem referidos por um senhor que mudou radicalmente de vida para alcançar o sucesso (quantos de nós é que também já pensaram em dar um outro rumo à vida profissional?!...). Por outro lado, fiquei a tentar perceber se este empresário vê os bioquímicos como alguém que ganha bem. Será que essa visão vem do facto de nos reconhecerem como bons profissionais?! Isto levou-me, de repente, a uma questão que, de certeza, já passou pela cabeça de muitos de nós… Será que fora de Portugal a vida de bioquímico é diferente?!... A esta pergunta ainda não posso responder mas posso tentar dar uma ideia de como é a vida de um bioquímico em Portugal.

Fani Neto

Testemunhos

Investigadora ou docente? Qual o balanço?
 
Entrei no curso de Bioquímica da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto em 1990. As informações que obtive da licenciatura quando resolvi candidatar-me foram de que era um curso com componentes de Biologia e de Química muito fortes, com elevadas médias de entrada e de uma exigência bastante maior do que outras licenciaturas em Bioquímica espalhadas pelo país (à data só existia em Coimbra e, salvo erro, também em Lisboa), que estava muito vocacionado para a investigação científica e que em relação a outros cursos mais tradicionais estava mais à frente. Foi o curso da minha primeira opção mas na altura não sabia o que o curso acarretava e qual iria ser o meu futuro. Acho que só por volta do 3º ano do curso vislumbrei que iria fazer investigação pela minha vida fora. Lembro-me de alguns amigos dos meus pais nunca terem ouvido falar na licenciatura em Bioquímica e nem eu própria sabia muito bem responder à questão “O que vais fazer quando te licenciares?”. “Investigação científica”, respondi algumas vezes não muito convicta. Ou em resposta ao meu pai: “Talvez professora universitária”, embora não tivesse a mínima noção do que essas duas actividades acarretavam a nível profissional e até pessoal. Por várias contingências, quando acabei o curso em 1994, vim parar ao Instituto de Histologia e Embriologia da Faculdade de Medicina do Porto onde tomei contacto com várias metodologias de investigação em neurociências, estagiei em laboratórios estrangeiros e mais tarde defendi a dissertação de doutoramento em Biologia Humana, mais concretamente em mecanismos neurobiológicos de processamento da informação dolorosa. Nessa altura só existia uma licenciada em Bioquímica no Instituto, e comigo o número elevou-se para dois, pelo que “os bioquímicos”, em franca minoria em relação aos biólogos, eram quase “aves raras”. A situação mudou nos últimos anos e hoje há quase mais bioquímicos do que qualquer outra licenciatura entre todos que trabalham - docentes, bolseiros de investigação e alunos de estágio, mestrado ou doutoramento – no Instituto de Histologia da Faculdade de Medicina do Porto. Só depois de ter defendido a minha tese, em 2001, fui convidada para exercer funções de docente, como professora auxiliar da disciplina de Histologia e Embriologia, que era (e ainda é) parte do currículo do 2º ano da licenciatura em Medicina. Já antes tinha tido uma pequena experiência como docente numa escola superior de enfermagem situada no Porto, que me tinha agradado bastante, para grande espanto meu.

Paula Tavares

Testemunhos

Quem é?
Paula Cristina Vaz Bernardo Tavares